As Três Graças – Deusas da Felicidade

Na Mitologia Grega, as Graças são conhecidas como as “Deusas da Felicidade”. Elas são representadas por três mulheres: Aglaia/Abigail, Euphrosyna e Thalia. Cada uma delas personifica, respectivamente, o esplendor, a alegria, o desabrochar.

Na Teogonia de Hesiodo, o poeta grego, ele sustenta que as Graças eram filhas de Zeus, o deus dos deuses, e de Eurynome, uma ninfa do mar filha do próprio Oceano. Hesíodo descreveu as Cárites – o outro nome das Graças, que vem do grego Chari – como jovens de belas faces, senhoras da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade.

Seneca, o célebre escritor romano nascido no século IV antes de Cristo, descreveu as Graças como donzelas sorridentes, desnudas ou cobertas por tecidos transparentes, envolvidas pela generosidade. Na Florença do século XV, os filósofos humanistas as viam como as três fases do amor: beleza, despertar do desejo e alcance da satisfação. Mas, curiosamente, também viam-nas como símbolo da castidade!

Às Graças associava-se tudo o que promove encantamento, prazer, satisfação, contentamento, júbilo, deleite e fruição com a vida. Por essa razão, acreditava-se que as Graças presidiam os banquetes, as danças, os encontros sociais, as ocasiões festivas e todas as situações que despertassem emoções positivas.

Assim, acreditava-se que as Graças estavam diretamente vinculadas às divindades do Amor (Afrodite e Eros). Da mesma forma, tinha-se como certo que as Graças tinham por companhia constante as Musas, com as quais costumavam cantar para os deuses do Olimpo e dançar ao som da lira do deus Apollo.

Em algumas versões do Mito, Aglaia era casada com Hephaístos, o deus artesão. O casamento deles ilustra a associação que, tradicionalmente, se faz entre as Graças e as Artes. Tal qual as Musas, às Graças era atribuído o poder de conferir aos artistas e poetas a habilidade para criar o belo.

Na arte as Graças são frequentemente retratadas como mulheres jovens e belas dançando em círculo. Em tempos mais remotos haviam representações das Graças em grupos com mais de três e, também, em figuras solitárias. Contudo, a imagem predominante ficou sendo a das Três Graças. O fato de a imagem das Graças em número de três ter se tornado a mais conhecida e reproduzida, possui relação com uma antiga tríade de divindades femininas que eram veneradas como espíritos das vegetações na Antiga Grécia, às quais também estão associadas a origem das Estações e das Horas.

Similarmente, é comum nas tradições mitológicas de vários povos, em diferentes épocas, a recorrência do motivo mítico da Deusa Tríplice que, em geral, está associada aos ciclos da vida humana: juventude/adultez/velhice; nascimento/vida/morte. Outras representações da Deusa Tríplice dizem respeito aos aspectos do crescimento psicológico e emocional do ser humano, como é o caso, por exemplo das Nornes e das Erínias.

As Nornes são três deusas irmãs da Mitologia Germânica que são responsáveis pela fiação do tecido da vida. As Erínias gregas são, comumente, retratadas como três deusas irmãs associadas ao destino dos seres humanos, só que num sentido de vigilância das ações humanas para punir àqueles que ofendem aos deuses.

A vinculação das Graças com os desígnios divinos para a espécie humana sobreviveu, inclusive, no repertório mítico do cristianismo. Durante a Idade Média, as Três Graças eram as representantes de virtudes como a beleza, a caridade e o amor na iconografia cristã, sendo relacionadas com a capacidade de dar e receber.

Com o tempo, as Graças passaram também a representar a conversação e os trabalhos do espírito e, ainda nos tempos medievais, as três artes liberais básicas nas universidades – gramática, retórica e lógica, o chamado trivium – estavam com elas relacionadas.

Todos esses aspectos do mito das Três Graças nos ensinam que o alcance da felicidade, apesar de ser esta uma dádiva dos deuses, é fruto do esforço individual. É, somente, enfrentando os desafios da vida humana, representados pelas Erínias, que podemos envolver-nos no tecido da vida e, assim, usufruir do que ela nos oferece.

As virtudes do amor e da caridade, a busca e a produção do belo – assim como o trabalho intelectual consciente e árduo pela busca do conhecimento do mundo e de si-mesmo, representado pelo trivium – é o que nos habilita a compartilhar com as Graças do banquete da felicidade.


Imagem: “Tríade” por Shane Peterson, em 1x.com

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