Costumamos acreditar que as lembranças são imutáveis. A ciência tem demonstrado que o que pensamos, fazemos e sentimos associa-se a várias reações fisiológicas e neuroquímicas no organismo. Esse processo envolve a capacidade dos neurônios de se transformarem, de se adaptarem ao contexto da experiência.
O que lembramos, portanto, é fruto das circunstâncias e de como reagimos a elas, fazendo com que sentimentos, ações e pensamentos alterem o funcionamento do sistema nervoso. Logo, as memórias não são amostras fiéis de fatos reais mas construções, modificadas de acordo com o momento e a situação na qual as invocamos.
Ou seja, a história de nossa vida é recriada toda vez que a lembramos. Isso ocorre porque experiências novas geram ativações que contribuem para que os neurônios formem novas conexões. Novas conexões possibilitam à nossa mente dar novos significados e sentidos ao que vivemos, seja no presente ou no passado.
Quando nos atemos apenas ao que é ruim na vida, passado e presente são interpretados negativamente. Fazer as pazes com o passado – focando no que deu certo, no que funcionou, no que foi bom – é uma forma de reconstruí-lo positivamente. Quando buscamos o que é positivo no passado, damos novo sentido ao presente e criamos possibilidades para o futuro.
Escrito originalmente para o Caderno Espaço Vida/Unimed-RS. Publicado em 16/12/2009
Imagem: “Conservado em Teias de Aranha” por Sven Fennema em 1x.com
