Os Sentidos

A nossa experiência no mundo depende fundamentalmente da nossa percepção. A percepção é um processo cognitivo, uma forma de conhecer o mundo. Embora todos os processos cognitivos estejam interconectados, a percepção é o ponto em que cognição e realidade encontram-se e, talvez, a atividade cognitiva mais básica da qual surgem todas as outras. Precisamos levar informações para a mente antes que possamos fazer alguma coisa com elas. A percepção é um processo complexo que depende tanto do meio ambiente como da pessoa que o percebe, e a essência desse processo é a experiência sensorial, a vivência da realidade por meio do Mundo dos Sentidos.

Como sujeitos da percepção conseguimos recuperar, por meio dos sentidos, as propriedades válidas do mundo que nos rodeia. Sem nos darmos conta, analisamos os padrões que vão mudando à medida que nos movimentamos. De certa forma, estudamos o que ocorre com formas, texturas, cores, sons, e iluminação sob todos os tipos de condições. Além disso, “examinamos” os padrões fixos. Tais estudos pessoais constroem nosso conhecimento das propriedades reais do mundo.

Durante o exercício de percebermos o mundo, o conhecimento surge de uma combinação entre as habilidades construtivas, a fisiologia e as experiências que acumulamos.

As Habilidades construtivas são certas operações cognitivas que ocupam lugar de destaque na percepção. Conforme nos movimentamos, olhamos aqui e ali e registramos informações. Como sujeitos da percepção, continuamente antecipamos o que ocorrerá depois, com base no que acabamos de reunir. As informações de cada ato perceptivo precisam ser armazenadas momentaneamente na memória; caso contrário, serão perdidas. Estamos sempre redirecionando nossos esforços de detecção e registrando novos conteúdos. Pouco a pouco, vamos combinando os dados das sucessivas explorações. É claro que não percebemos que vemos apenas uma amostra da cena diante de nós. Tampouco temos consciência de que absorvemos apenas uma pequena parte dos detalhes e indícios disponíveis. Quando falamos de habilidade construtiva, estamos, portanto, referindo-nos a essas operações de teste de hipótese, antecipação, amostragem, armazenamento e integração.

A Fisiologia nos ajuda a saber algo do funcionamento do nosso corpo que possibilita coletar informações (o aparelho sensorial). Precisamos também conhecer algo do processamento dessas informações pelos sistemas sensorial e nervoso. Animais diferentes vivem em mundos extremamente diferentes porque seus aparelhos perceptivos variam muito. Por exemplo, as pessoas não podem ouvir os sons altos registrados pelos morcegos. Tampouco podemos sentir o cheiro de suor que exala da sola dos calçados, embora os cães o sintam. Poucos de nós reagimos a forças magnéticas ou elétricas como reagem os golfinhos, as baleias, peixes e os insetos. Até os membros de uma mesma espécie têm percepções diferentes. As pessoas têm alguma variação em termos de como vêem cores e discriminam sons e sentem cheiros e gostos. Durante a gravidez e na terceira idade, por exemplo, as sensibilidades sensoriais mudam.

As Experiências criam expectativas e motivos. Ao olhar para uma paisagem você pode deduzir qual é a estação do ano. Como você faz isso? Provavelmente você se baseará nas suas experiências passadas para interpretar os dados: se há ou não flores, a temperatura, a cor do céu, a presença e a intensidade do sol, etc.

Todas essa informações do mundo externo – tempertaura, cores, texturas, cheiros, luminosidade, etc. – são parte do complexo processo perceptivo, que depende tanto dos sistemas sensoriais quanto do cérebro. Nosso corpo é equipado com sistemas especializados de coleta de informações – denominados sentidos, ou sistemas sensoriais – que registram as mudanças de energia ao nosso redor. Os cientistas já catalogaram 11 sentidos humanos completamente distintos:

* Sentidos Químicos: Paladar e Olfato
* Sentidos de Posição: Cinestésico e Vestibular
* Tato (ou ) Sentidos Cutâneos: Contato, Pressão, Calor, Frio e Dor
* Audição
* Visão

Além dos 11 sentidos já catalogados, discute-se também a possibilidade de haver outros sentidos ainda não identificados. Muito especula-se sobre o papel dos sentidos em processos nos quais a percepção não depende dos canais sensoriais conhecidos, como é o caso da Percepção Extra-Sensorial(PES). A pesquisa científica nessa área é controversa e escassa, há desde entusiastas a detratores, ambos os grupos igualmente radicais. Ao contrário da polêmica em torno da PES, o estudo da percepção durante os estados alterados de consciência tem avançado bastante nas últimas décadas. O termo “estados alterados de consciência” pode englobar vivências muito distintas. Basicamente, o termo se refere a situações nas quais a percepção conduzida pela consciência racional – como ocorre no estado de vigília – é substituída por mecanismos perceptivos baseados na inconsciência parcial ou total. Exemplos de estados alterados de consciência são o sono, a hipnose e a intoxicação por drogas.

Para viabilizar todo o processo perceptivo, da coleta à análise dos dados sensoriais, os sentidos desempenham quatro papéis na percepção: detecção, transdução, transmissão e processamento de informações.

Detecção
O elemento denominado detecção existente em cada sentido é conhecido como receptor. Receptor é uma única célula ou um grupo de células particularmente responsivas a um tipo específico de energia. Certas células do ouvido respondem a vibrações de ar; certas células dos olhos são sensíveis a uma forma de energia eletromagnética. Os receptores podem ser responsivos a mais de uma forma de energia. As células dos olhos, por exemplo, respondem à pressão ou a vibrações e também à energia eletromagnética. Embora nossos sentidos possam responder a várias formas de energia, eles são particularmente sensíveis a uma estreita faixa de estímulos. Nos olhos, os receptores reagem principalmente à luz visível, uma minúscula fração do espectro de energia eletromagnética — (que inclui ondas de rádio e raios gama, infravermelhos e ultravioleta). Da mesma forma, os receptores no ouvido respondem a vibrações de ar na faixa aproximada de 20 a 20.000 hertz. Vibrações acima e abaixo desta faixa ocorrem freqüentemente, porém não conseguimos ouvi-las.

Transdução e Transmissão
Os receptores “transduzem” ou convertem energia de uma forma para outra. Os receptores em nossos sentidos convertem a energia que entra em sinais eletroquímicos que o sistema nervoso usa para a comunicação. Se a energia que entra for suficientemente intensa, ela aciona impulsos nervosos que transmitem informações codificadas sobre as várias características dos estímulos. Os impulsos trafegam por fibras nervosas específicas até determinadas regiões do cérebro.

Processamento de Informações
Receptores e cérebro processam informações sensoriais. Em organismos relativamente simples, rãs por exemplo, os receptores são encarregados de grande parcela do trabalho. Em animais complexos, como o ser humano, o cérebro carrega uma parte muito maior da carga.

Imagem: “Maçã” por Mohsen Rashidi, em 1x.com

2 comentários sobre “Os Sentidos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s