O Estudo da Felicidade

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Investigo a Felicidade, suas variantes e seus aspectos correlatos – os estados afetivos, as emoções, o bem-estar subjetivo e objetivo, a personalidade, o desenvolvimento humano, o comportamento, etc., – desde que me formei em Psicologia no final do ano de 1997.

Para exercitar esse interesse pela Felicidade, tenho me ancorado em duas vertentes teórico-práticas: a Psicologia Positiva e a Psicologia Analítica de Carl Jung .

Ao contrário dos representantes da Psicologia Positiva, Jung não falava diretamente em Felicidade ao falar do desenvolvimento e da personalidade humana. Mas Jung concebeu a idéia de Individuação! Na qual ele abordou a possibilidade de uma vida plena.

Como a idéia de Felicidade pode ser entendida como plenitude – e esta relaciona-se a uma dimensão ética do viver – minhas idéias voltam-se para Jung ao tentar identificar se os processos de desenvolvimento psicológico na vida adulta acentuariam a busca da Felicidade mais pautada em valores éticos, pessoais e subjetivos e menos ligada à satisfação imediata, ao consumismo-materialismo. Esses valores éticos, de que falo, são entendidos como sinais de maturidade psicológica. Uma pessoa madura psicologicamente é capaz de estabelecer relações nas quais há influência mútua sem perda da identidade; de reconhecer-se como uma pessoa individualizada em acordo com seus próprios desejos, anseios, ambições, potencialidades e objetivos.

Então, penso que, se quero falar em viver uma vida plena, não posso descartar a maturidade psicológica na vida adulta como condição emocional necessária para a Felicidade. Este é o meu ponto de vista!

Os fundamentos acadêmicos para a minha abordagem de Felicidade se encontram na Psicologia Positiva.  Esse é um movimento muito novo na Psicologia, surgido na década de 80 nos Estados Unidos, que tem nas figuras de Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihaly grandes porta-vozes. Na Psicologia Positiva encontro idéias valiosas para o meu trabalho, em especial nos estudos sobre Bem-Estar Subjetivo, Personalidade Autotélica e Resiliência.  Quanto à maturidade psicológica, além das premissas junguianas sobre a Individuação, eu me baseio nos estudos de George Vaillant sobre o Desenvolvimento Adulto. Vaillant tem contribuições maravilhosas sobre a importância da adultez e do envelhecimento na conquista da Felicidade. Não posso deixar de citar Ed Diener, cujo trabalho me despertou para a relevância dos fatores socioculturais e econômicos quando falamos de Felicidade, e Michael Argyle com seus estudos sobre a Psicologia Social da Felicidade.

No Brasil, a minha pesquisa, sobre Felicidade e Desenvolvimento Adulto, foi a primeira dissertação de Mestrado sobre Psicologia Positiva defendida no país. Nesse trabalho, eu tentei aproximar a visão subjetiva/analítica/reflexiva de Jung sobre o Desenvolvimento Adulto e a perspectiva objetiva/cognitiva/experimental da Psicologia Positiva sobre a experiência da Felicidade. Eu defendi meu Mestrado em Psicologia Social na USP(SP) em 2003, sob a orientação da Profa. Anna Mathilde Pacheco Chaves. O fiz com louvores da banca, o que considero um mérito já que me arrisquei muito ao tentar unir o que parecia inconciliável.

Antes de finalizar o Mestrado eu percorri um longo caminho de cinco anos de estudos sobre variáveis da afetividade humana: entre as Neurociências, a Psicologia Analítica, a Psicanálise, o Imaginário Cultural, a História, a Economia, a Filosofia, a Identidade Brasileira e as muitas Psicologias (Social, do Desenvolvimento, da Personalidade, da Arte, da Religião, Experimental, Comportamental, do Lazer, do Trabalho…) eu busquei conhecer um pouco mais sobre o que seria positivo e o que seria negativo nas emoções humanas.

Assim me lancei nessa jornada em busca da Felicidade. E, cada vez mais, concluo que a busca da Felicidade é uma meta de todos nós e, ao contrário do que muitos podem pensar, a Felicidade é possível! Mas é bom que se saiba que  a Felicidade, como tudo na vida, tem um preço: conhecer-se a si mesmo…

…não é um preço tão alto por algo que desejamos tanto! Mas, exige um grande esforço e nem todo mundo está disposto a pagar por ele.

Mini-Currículo

2 Comentários

  • Quem não se interessa pela felicidade?Mas só pela boa palavra, de que é possível, já vale arrumar a mala, ou dessarrumar? E que esforço, heim!? Mas a perspectiva de andar mais leve, sentir o vento batendo no rosto e os pés tocando o chão, ainda que voando, é indescritível. Muito bom, daqui fui para outros textos de tua autoria.

  • Pois é, Judite, alguns esforços valem à pena, outros não. Cabe a cada um avaliar aquilo que realmente é importante para si, arregaçar as mangas e correr atrás.

    Afinal, em todas escolhas que fazemos ganhamos algo e perdemos também. A questão é, e é absolutamente individual: o que eu quero, de verdade, ganhar!

    Fique à vontade, e aproveite a leitura.


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