“O Tempo Garante Mais Qualidade”

Por Daniela Carla

Jornal A Gazeta/ES – 26/04/2009

Manter o desejo sexual em alta com o passar dos anos é um desafio para os casais. Mas é possível, garante a psicóloga especialista em Felicidade, Angelita Corrêa Scárdua. Ela ensina que é importante cuidar da vaidade e da autoestima e, principalmente, criar espaço para a intimidade e a cumplicidade no relacionamento.

Qual a importância do sexo?
O sexo é essencial e bom para a saúde emocional quando há intimidade e sensação de que somos amados. Quando há algo partilhado só pelo casal. Existem benefícios fisiológicos, pois o sexo favorece a produção de serotonina e dopamina, substâncias que promovem bem estar e relaxamento.

Então o sexo faz bem quando existe um relacionamento estável?
A existência de uma história comum favorece a experiência sexual. Isso não descarta a possibilidade do sexo eventual ser prazeroso. Mas há diferença entre ser prazeroso e ser satisfatório. O sexo eventual pode dar prazer, mas temporário. No longo prazo a intimidade de um relacionamento onde os parceiros se conhecem é fundamental.

Não é exagero, então, dizer que quem faz mais sexo, com qualidade, vive melhor?
Existem estudos que mostram uma co-relação entre satisfação com a vida de um modo geral e uma vida sexual satisfatória. Isso não significa que uma pessoa que não faz sexo não possa ter qualidade de vida. Pode. Mas o sexo agrega bem estar.

Como o sexo pode ser prazeroso para a mulher depois da menopausa?
Na nossa cultura a sexualidade feminina está muito associada ao ciclo reprodutivo. A perda da capacidade reprodutiva contribui para a queda da autoestima. Muitas mulheres associam o fim da vida reprodutiva ao fim do papel como amantes. A solução passa por um trabalho interno de compreender que a identidade feminina é mais ampla que a capacidade reprodutiva. Ter uma atividade física e uma atividade produtiva, como artesanato ou trabalho voluntário, contribuem para a autoestima elevada. Nos dão a sensação de que estamos nos cuidando e temos controle da nossa vida.

Manter a vida sexual intensa por mais tempo é mais fácil para os homens?
Os homens se preocupam mais com a questão sexual. Para eles a potência, a capacidade de seduzir está ligada ao poder. Pensam: “eu sou o provedor e tenho algo a oferecer”. O momento crucial para a sexualidade masculina é a aposentadoria. Muitos se pegam com problemas sexuais quando se aposentam. Isso é cultural também. Mas o homem não pode se perceber apenas como um provedor, mas como um ser capaz de oferecer outras coisas, como afeto. Ajuda se ele tem um hobby, uma atividade física ou produtiva.

Muito se fala que é importante conversar com o parceiro quando há insatisfação com a vida sexual. Como iniciar esse diálogo?
Temos a tendência de achar que o sexo é separado das outras coisas, mas ele reflete outros aspectos. Dificilmente um casal tem dificuldades sexuais por um aspecto só sexual, como problema fisiológico. Não adianta um casal que nunca teve intimidade achar que vai conversar e resolver os problemas sexuais. Não vai.

Como assim?
A intimidade é construída no dia a dia. Se abraçar, se beijar, andar de mãos dadas criam proximidade física que facilita o diálogo. O casal que condiciona as demonstrações de afeto às relações sexuais tem problema de intimidade. Homens tendem a ter problemas sexuais quando vão mal no trabalho e a mulher quando está insatisfeita com o corpo. É importante criar intimidade, pois aí o diálogo floresce.

O que fazer para manter o desejo e o pique para o sexo do início do relacionamento?
Não adianta achar que você vai ficar casado 20 ou 30 anos e ter a mesma expressão da sexualidade do início. Do ponto de vista psicológico não seria saudável. No início do relacionamento há uma curiosidade estimulante. Com o tempo a relação amadurece e a sexualidade muda. Você perde em quantidade e ganha em qualidade.

O que fazer para ganhar em qualidade?
A troca de afeto, o contato físico no dia a dia, é fundamental para manter o interesse. Outra coisa é valorizar as delicadezas do início, como ver um bolo que você sabe que sua esposa adora e levar pra ela. Quando as pessoas namoram vão ao cinema, se divertem, mas quando casam, isso acaba. É importante investir nas pequenas coisas para não perder o vínculo. Viajar também é bom. Existe relação entre vida sexual satisfatória e fazer atividades de lazer juntos.

É importante se manter vaidoso?
A vaidade é importante para a autoestima e para que o parceiro se sinta importante. O desleixo tira o encanto. Ninguém precisa ser modelo de revista. Podemos ser atraentes com as nossas características.

O sexo é fundamental?
É importante, mas não fundamental. Não é uma obrigação ou algo definitivo para a felicidade. Também não é assim. Se a gente consegue encarar o sexo como um momento em que não somos obrigados a ter um desempenho nota 10 ele fica interessante. Quando há pressão em cima do desempenho vira uma prisão. O sexo deve ser um momento de prazer, intimidade e carinho.

Imagem: “Uma Taça de Vinho Tinto” por Anders Ludvigson, em 1x.com


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