Investindo na Felicidade a Dois: Proporcionar Prazer

Casais felizes comprometem-se com o prazer um do outro. Alguns casais não colocam na balança a equação prazer-sofrimento. Isso é um problema. Toda vez que uma pessoa vai dizer/fazer alguma coisa a uma outra, ela deveria se perguntar

  1. o quanto de prazer e o quanto de dor a atitude dela causará. Em algumas ocasiões, causar dor ao outro pode ser inevitável, e os momentos de sofrimento podem até ser importantes para o amadurecimento do casal mas na maioria das vezes a dor pode ser evitada.

  2. O problema é que a maioria de nós não calcula os danos que os nossos hábitos podem causar, com isso ignoramos os sentimentos do outro e agimos impulsivamente.

Faça o seguinte exercício: por pelo menos um dia, tente manter o foco em tudo o que você diz e faz em relação ao outro. Pergunte-se: “O que estou para dizer/fazer causará mais sofrimento ou mais prazer para ele(a)?”.

Para ajudar a manter o foco, uma dica é o casal fazer duas listas individualmente:

  1. uma relativa as atitudes do outro que provocam sofrimento;

  2. e uma com àquelas que promovem prazer.

As listas devem ser trocadas entre o casal, de forma que um saiba os efeitos das próprias atitudes sobre o outro. Assim, fica muito mais fácil avaliar o impacto daquilo que dizemos e fazemos para o outro.

As pessoas, em geral, vão ao longo do tempo habituando-se a criticar e a serem criticadas por seus parceiros indiscriminadamente. Pequenas manias, implicâncias, coisas bobas passam a fazer parte do repertório de gestos e verbos utilizados pelo casal como se não causassem nenhum dano ao vínculo afetivo. A questão é que  na maioria das vezes a insistência em destacar uma falha no outro pode revelar dois problemas comuns aos casais:

  1. a preocupação de um dos parceiros em ser/parecer perfeito. Ao enfatizarmos as falhas do outro, deslocamos o foco da atenção das nossas limitações. Passamos a ser aquele que aponta os erros do outro e nunca aquele que os comete. O problema aqui é a insegurança daquele que é “O certo” na relação.  A aparente intolerância deste com o modo de funcionamento daquele – “O errado” – pode esconder problemas de auto-estima e de auto-confiança. Tais problemas são disfarçados e/ou negados por um comportamento persisitente de crítica  ao cônjuge, o que quase sempre leva à desqualificação do(a) parceiro(a).  A dificuldade aqui é que aquele que é criticado tende a se anular na submissão, seja porque não quer enfrentar a situação, seja porque incorpora o papel de incapaz, ineficiente, fraco, etc. Ao mesmo tempo, aquele que é o crítico tende a cristalizar uma imagem de autoritarismo sufocante. Não precisa dizer que a equação prazer-sofrimento aqui é de total subtração do que é bom pelo que é ruim. Uma conta na qual todo mundo sai perdendo!

  2. o outro problema do jogo “O certo x O errado” entre casais é que o descontrole diante de pequenas coisas pode, também, esconder frustração e insatisfação com questões bem maiores e mais profundas. Às vezes, o incômodo persistente com a toalha molhada sobre a cama ou com a forma do outro dirigir pode ser a projeção de mágoas e ressentimentos antigos que não foram devidamente solucionados. Nesse caso, os pontos originais de atrito conjugal – àqueles que realmente importam e que geraram as velhas mágoas – são sensíveis demais para que o casal se sinta confortável em abordá-los. Quase sempre, é o medo de mexer no “vespeiro” –  e realmente colocar a relação em risco – que faz com que os grandes problemas sejam varridos para debaixo do tapete junto com a tolerância e o respeito às formas do outro fazer as coisas.

As pesquisas sobre felicidade conjugal têm mostrado que as pessoas satisfeitas com seus casamentos tendem  a encarar os problemas à medida que eles aparecem, não deixam as mágoas acumularem. Mas para que um casal possa abordar os problemas que tem, de forma aberta e franca, não pode haver a ilusão de que um faz tudo certo e de que o outro faz tudo errado. Não pode haver sequer a pretensão de uma das partes em ensinar ao outro como ele deve fazer isso ou aquilo. Uma coisa é nos dispormos a aprendermos juntos a  melhor forma de fazer isto ou aquilo.  Essa é a atitude saudável dos casais que pautam seus relacionamentos no respeito e na tolerância. Outra coisa é alguém partir do pressuposto de que tem a chave da excelência e que, por isso, tem a autoridade para avaliar e julgar o outro. Quando isso acontece, atropela-se a autonomia e a confiança do(a) parceiro(a), minimiza-se a oportunidade de troca intelectual, física e afetiva entre o casal.

Ou seja, a equação prazer-sofrimento só pode resultar na subtração do pior pelo melhor quando os parceiros reconhecem os próprios erros e entendem o quanto estes podem causar danos àquele que amam. No processo de auto-avaliação cada um descobre o quanto pode contribuir para o bem-estar, ou não, do outro e, assim, pode aprender a escolher proporcionar prazer ou sofrimento.

Imagem: “Cuidado” por mea, em 1x.com

 

4 comentários sobre “Investindo na Felicidade a Dois: Proporcionar Prazer

  1. Olá Carol,

    fique à vontade, o blog é nosso…Rs!…

    …Já falei que você vai receber uma carteirinha de sócia honorária…Rs!

    Bj., para você também.

  2. Gente, é tão bom encontrar uma pessoa sensata, esclarecida e equilibrada falando sobre casamento, ao invés daquela habitual enxurrada de preconceitos e senso comum que sempre começam com “os homens são…” ou “as mulheres são…”. Angelita, obrigada por partilhar conosco palavras tão honestas que, tenho certeza, originam-se de um coração amoroso. Abraços!

  3. Olá Patricia,
    agradeço os elogios. Não penso que o meu coração seja mais amoroso do que o de outras pessoas, na média…Rs! Penso que tento encarar os relacionamentos humanos, de qualquer tipo, como um encontro. Como todo encontro, a chave para a satisfação dos que se encontram é a comunicação. Quando conseguimos parar para ouvir a nós mesmos e ao outro, aprendemos a nos expressar e a valorizar isso, não apenas em nós mas no outro também. Além disso, por mais diferenças que existam entre homens e mulheres – e elas existem, graças aos céus, ou à natureza, ou à cultura, ou a todos eles…Rs! – como seres humanos, todos queremos ser vistos, considerados e amados. Se lembrarmos que o outro é um ser humano como nós, com necessidades, desejos e expectativas de amor parecidas, fica muito mais fácil nos comunicarmos…e, assim, ter um encontro feliz!

    Seja sempre bem-vinda!

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