A Teoria da Diversão…

…Ou, de como podemos mudar o nosso comportamento, para melhor, quando nos sentimos mais felizes!

The Fun Theory (A Teoria da Diversão), é uma iniciativa da Wolkswagen européia, mais especificamente do “braço” sueco da empresa. A idéia é bem simples: uma série de vídeos publicitários que mostram experiências que podem levar as pessoas a mudarem seus comportamentos de forma a contribuirem com o meio ambiente.

Até aí, nada de novo! O grande diferencial da iniciativa é apostar na diversão como fomento para a mudança de comportamento. O mote do projeto é a defesa de que a maneira mais fácil de mudar o comportamento das pessoas, para melhor, é por meio da diversão.

A visão da campanha está em absoluto acordo com o que propõe a Teoria da Personalidade Autotélica de Mihaly Csikszentmihalyi. Na visão de Mihaly, o comprometimento com uma determinada tarefa depende do nível de satisfação que encontramos ao fazê-la. A autotelia nos leva a querer fazer uma determinada coisa porque obtemos prazer ao fazê-la e, ao mesmo tempo, interpretamos a tarefa como prazerosa porque queremos fazê-la. Cria-se um ciclo virtuoso, no qual prazer e compromisso nutrem um ao outro.

O interessante do autotelismo é que ele expressa um comportamento que não tem relação alguma com fatores externos, sejam ganhos subjetivos como a aprovação dos outros ou objetivos como recompensas materiais. O prazer que se obtém com a tarefa é pessoal e, talvez, por isso mesmo, seja mais fácil associá-lo ao comportamento que o originou. Quando fazemos algo que nos diverte, com o qual obtemos prazer, satisfação e contentamento, nos sentimos mais felizes. Assim, sempre desejaremos repetir a experiência que originou esses sentimentos e emoções positivas, seja jogar o lixo na lixeira ou subir a escada.

Abaixo os vídeos promocionais da campanha mostrando algumas idéias muito criativas e divertidas:

Piano Staircase (Escada Piano)

Suba a escada a pé, ao invés de usar o levador ou a escada rolante, e sinta-se melhor”. É possível convencer um maior número de pessoas a fazer isso?

A “escada-piano”, criada pela Wolkswagen, numa estação de metrô na Suécia, mostra que é possível convencer as pessoas a usarem os músculos e as articulações com diversão. Sensores nos degraus permitiram que cada um deles tocasse uma nota musical ao serem pisados. Assim, 66% das pessoas passaram a subir pela escada normal ao invés da escada rolante!

Bottle Bank Arcade Machine (Fliperama Para Coleta de Garrafas Recicláveis)

Garrafas de plástico e latas de alumínio são, em grande parte, coletadas para reciclagem. Contudo, recicla-se muito pouco o vidro, talvez por ser um material menos rentável. Será que a oportunidade de sorrir poderia levar mais pessoas a doarem garrafas de vidro?

A máquina para coleta de garrafas de vidro, criada para a campanha The Fun Theory, é, também, um fliperama. Clicando o botão “iniciar” da máquina, uma luz se acende e o jogo começa, para cada garrafa depositada o “jogador” acumula pontos. Simples assim. O resultado: numa tarde apenas, mais de 100 pessoas usaram o “fliperama” da Wolkswagen, para depositarem suas garrafas de vidro, acumular pontos e se divertir. Em compensação, o banco de coleta de garrafas convencional, na mesma rua do da Wolkswagen, foi usado por apenas duas pessoas!

The World’s Deepest Bin (A Lixeira Mais Funda do Mundo)

Para algumas pessoas, jogar o lixo na lixeira parece ser uma tarefa quase impossível. Seria possível levar um maior número de pessoas a optar pela lixeira, ao invés do chão, na hora de se desfazer do próprio lixo?

A lixeira acima tem fictícios 600 metros de profundidade! Na verdade, ela é só uma lixeira comum com algumas adaptações: sensor de movimento, para detectar quando alguém joga o lixo em seu interior; e um sistema de som que emite uma gravação dando a impressão sonora, típica de desenho animado, de que o objeto está caindo em uma grande profundidade. O efeito divertido, adicionado à lixeira, fez com que em um dia 72kg de lixo fossem coletados. Ou seja, 41kg a mais do que nas lixeiras normais próximas á do experimento.

Em 2009, quando escrevi este post, o projeto The Fun Theory realizou um concurso para selecionar novas propostas divertidas para mudar, para melhor, nossos comportamentos cotidianos. Aberto a qualquer pessoa, o concurso oferecia um prêmio de €2500. Para conhecer as ideias finalistas do concuro, acesse AQUI.

Imagem: por Benoit Paille, em 1x.com

8 comentários sobre “A Teoria da Diversão…

  1. Angelita,
    Adorei essa idéia, uma nova forma de mudar o comportamento para melhor! O mundo agradece!
    Beijos

  2. Ola Angelita!
    Obrigada pelo post, tem tudo a ver com minha visão de mundo e a metodologia de mudança organizacional que trabalho, a Investigação Apreciativa. Acho também que é “a” saída para a humanidade, conseguir associar sustentabilidade – que virou um assunto chato – com diversão.
    Abs,
    MF

  3. Olá Fernanda,
    o mundo poderia ser muito mais divertido, penso eu, se adotássemos o lema aprender com prazer. Acho que o que sempre detestei na escola e no trabalho institucionalizado é exatamente o contrário disso, a negação do prazer. As instituições, em especial a academia e a empresa, têm sempre a pretensão de seriedade que faz perecer qualquer lampejo criativo e qualquer vestígio de individualidade. Ainda que a seriedade fosse autêntica, fruto da reflexão e da introspecção…mas, quase nunca é, me parecendo muito mais uma tentativa de disfarçar a inércia intelectual e a incompetência de muitos com regras que nivelam a todos.

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