A Delícia de Viver Cada Etapa no Tempo Certo

Por Elisangela Bello – Jornal A Gazeta/ES – 02/08/2009

“Tudo tem seu tempo.” Quem nunca ouviu essa frase quando criança ou jovem, dita por alguém mais velho, na tentativa de aplacar a ansiedade ou mesmo de consolar alguém que não podia fazer algo por causa da pouca idade? Pois a máxima, muito usada pelos nossos avós, tem todo o sentido, segundo especialistas, que apontam a importância de se viver plenamente cada etapa da vida, com seus prazeres e limitações.

Mas basta olhar o noticiário e mesmo o próprio círculo de amizades para perceber que não faltam crianças e adolescentes pulando etapas e assumindo funções de adultos, às vezes incentivados pelos próprios pais.

“Estamos pulando etapas que vão fazer falta. Não se pode entrar nessa onda de resultados. Nossas crianças hoje não sabem brincar sozinhas. De tantas atividades, perdem a oportunidade de viver o momento da brincadeira. E, no final, é o aspecto emocional que vai fazer diferença na vida e no trabalho”, aponta a psicopedagoga e mestre em Educação Maristela do Valle.

Empolgados com a vontade manifestada pela criança, às vezes estimulada pelo que vê na TV, muitos pais se rendem aos encantos dos pequenos e não percebem que eles estão perdendo o tempo de ser criança. “Esse lado lúdico, simbólico, tem que ser vivenciado. Hoje, com tanta estimulação, com a TV, fica difícil educar, mas o pai não deve projetar no filho o que não conseguiu ser”, ressalta.

E o que dizer de uma criança que participa de concursos competitivos, como os de beleza? Cuidado e bom senso são palavras-chave nessas situações, para os especialistas. “A criança não está pronta para fazer um julgamento crítico das oportunidades que são oferecidas a ela. Competitividade pode ser bom, mas, em alto grau, pode ser prejudicial”, alerta a professora de Psicologia do Desenvolvimento da Faesa, Ana Carla Amorim.

Mas não são só as vontades manifestadas na infância ou a falta de limite dos pais que levam a se queimar etapas importantes da vida. Muita gente teve que se tornar adulto mais cedo, por exemplo, para trabalhar, por ter ficado órfão ou por ter que encarar a gravidez precoce, como foi o caso de Kelen e Keplen de Paula Brandão, mãe e filha que engravidaram aos 15 e 14 anos.

Em todos os casos, segundo a psicóloga Angelita Scardua, é preciso buscar o equilíbrio emocional, já que, do ponto de vista intelectual, as pessoas acabam se adaptando à realidade imposta. “Uma mãe adolescente pode se tornar uma mãe responsável, mas sempre fica uma lacuna. O ideal é que nossas atividades sejam adequadas ao momento do nosso desenvolvimento.”

Gravidez precoce: 2,7 mil casos em seis meses

Sair com as amigas, ir ao cinema, conversar horas até o dia clarear… Situações assim, típicas da adolescência, ficaram na vontade para cerca 2,7 mil garotas que viram suas vidas de cabeça para baixo, ao se descobrirem grávidas entre janeiro e julho deste ano, no Espírito Santo.

A gravidez precoce está entre os principais motivos que fazem com que jovens tenham que abrir mão dessa fase tão colorida da vida: elas interrompem os estudos, não podem mais sair com as amigas e têm que aprender rapidamente a cuidar de bebê.

Sem falar numa série de riscos que correm por gerarem uma vida antes que o corpo esteja preparado para isso. No Estado, 18% dos partos realizados são de adolescentes, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O ginecologista e obstetra Sérgio Rua diz que é comum as adolescentes voltarem, meses depois, para dar à luz outra criança.

O problema fez com que governo do Estado criasse o programa “Na real, gravidez na adolescência não é legal”. “Na Grande Vitória, conseguimos uma redução de 48% no índice de gravidez na adolescência, com oficinas pedagógicas que trazem para o debate com adolescentes questões do cotidiano deles”, explica a gerente de Educação, Juventude e Diversidade da Secretaria Estadual de Educação (Sedu), Maria do Carmo Starling. Criado em 2007, o programa já atinge todos os municípios e é direcionado também a meninos.

Mãe e filha com a mesma experiência

No ano passado, ao perceber um comportamento diferente da filha mais velha, Keplen, de 14 anos, a dona de casa Kelen de Paula Brandão não teve dúvidas: levou-a ao laboratório para fazer um teste de gravidez. O resultado foi positivo e repetia uma situação vivida por Kelen na mesma idade da filha: a gravidez precoce.

Agora, com a pequena Letycia nos braços, de apenas dois meses, Keplen tenta assumir as funções de mãe, mas admite que, se não fosse pela iniciativa de Kelen, só iria perceber a gravidez quando a barriga começasse a crescer. “Achei que ia ser muito mais difícil, mas até agora foi tudo tranquilo”, afirma a adolescente, que está vivendo com o namorado, numa casa construída em sete meses, nos fundos da casa dos pais dele.

Para Kelen, engravidar tão cedo foi uma forma inconsciente de ter uma família, já que não teve pai presente e a mãe precisava trabalhar. Para a Keplen, que nasceu com complicações por ter sido gerada por uma mãe muito nova, faltou também convivência com os pais. “Eu e apeguei muito ao meu marido, Leo. No ano passado, já queríamos ficar noivos”, conta. O jeito de ser mãe – e agora o de ser avó – elas querem aprender juntas, com paciência e a ajuda de Letycia

Imagem: “E o tempo passa” (detalhe) por Sebnem Köken, em 1x.com

3 comentários sobre “A Delícia de Viver Cada Etapa no Tempo Certo

  1. estou fazendo pedagogia mas adoro pisicologia fico fascinado quando meus colégas chega até minha pessoa e dezabafa seus problemas cotidianos desde ja persebo que eles estão em busca de uma solucão mais me deparo com suas ingenuidades acabo passando tanta tranquilidade que eles cantão até mesmo o seus segredos mais intimos. fazendo que cada vez mais me apaixono a desvendar o que passa no psique humano isto é fascinante.

  2. Você é estudante de psicologia e não conhece a língua portuguesa? Quantos erros! “persebo”, “dezabafa”, “meus colegas chega”. Onde ficaram os pontos e as vírgulas?

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