“Transforme a Fúria Em Ações Positivas”

Por Laila Magesk – Portal Vida Saudável em 18/12/2009

Buzina, motorista ultrapassando onde não deveria, um xinga o outro grita e a confusão está armada. Trânsito em horário de pico irrita quase todo mundo, mas ainda pior do que o carro não andar, é ter que se espremer em um ônibus lotado que – realidade de boa parte dos capixabas.

Se parasse por aí, até que ia, mas a supervisora de patrimônio Gilgliane Miller, 31 anos, enfrenta outro problema que a deixa estressada: a demora do ônibus. Segundo ela, tudo começou com a criação do Terminal de Jardim América.

O percurso de casa para o trabalho e o contrário aumentou. Saio do meu trabalho às 18h. O percurso que antes eu fazia em no máximo 40 min agora chega a 1h30. Estou estressada, tenho vontade de enforcar o motorista (risos), mas eu sei que ele não tem culpa. Tem dias que fico uma hora no ponto parada. Passam todos os ônibus menos o meu“, reclama.

De acordo com a Ceturb, a linha 527, que Gigliane pega, passa em média de 10 em 10 minutos. A assessoria informou que se atrasos acontecem o motivo são os congestionamentos do trânsito.

O Vida Saudável convidou a psicóloga Angelita Corrêa Scardua para ajudar Gigliane. A especialista afirma que várias coisas podem gerar estresse. Acontece que nem sempre aquilo que percebemos como sendo estressante é a verdadeira fonte do nosso estresse.

Esperar o ônibus para o trabalho pode ser muito estressante, é verdade! Mas a verdadeira fonte do problema pode ser, por exemplo, nossa dificuldade para administrar o próprio tempo, nossa insatisfação com o trabalho ou, até mesmo, uma relação ruim com o chefe. Por isso, antes de mais nada, é fundamental tentar identificar a verdadeira fonte do estresse. Esse é o único jeito de resolver, de uma vez por todas, o problema“, avalia.

Angelita afirma que existem duas maneiras de lidar com o estresse:

A primeira delas é possível quando a fonte do estresse pode ser eliminada da nossa vida, ou alterada. Isso se dá quando os principais fatores envolvidos dependem apenas de nós. Por exemplo: uma relação estressante, depende apenas da gente escolher se fica ou não na relação, e o rompimento pode eliminar o estresse da nossa vida; um problema de saúde, buscando o tratamento adequado podemos alterar a situação geradora de estresse, atenuando o sofrimento e a preocupação.

A segunda diz respeito às situações nas quais os principais fatores estressantes não estão sob o nosso controle. É o que ocorre, por exemplo, no caso da Gilgliane. Afinal, ela não tem como controlar o horário do ônibus, nem tem outra forma de se deslocar entre a casa e o trabalho. Ou seja, a Gilgliane tem de administrar uma situação sobre a qual ela tem pouquíssima autonomia. Como fazer?

O mais sábio a fazer é aceitar o fato de que ela sozinha não pode mudar a situação do horário dos ônibus. Aceitar nossos limites já é meio caminho para lidar adequadamente com o estresse. Uma das principais fontes de estresse é, exatamente, preocupar-se com algo que você não pode resolver“, explica.

O que a Gilgliane pode resolver? A forma com que ela lida com o atraso do ônibus! Para isso, algumas estratégias podem ajudar:

1 – se for possível, sair de casa mais cedo;

2 – procurar uma alternativa de transporte: combinar uma carona com alguém (rateando o valor do combustível);

3 – tentar encontrar uma outra linha de ônibus que passe mais longe, seja do lugar onde ela costuma pegar o transporte ou de onde ela precisa saltar. Isso pode exigir acordar mais cedo, caminhar. O que poderia ser encarado como uma oportunidade para se exercitar, por exemplo;

4 – aprender algumas técnicas de relaxamento (respiração e alongamento) e colocá-las em prática antes de ir para o ponto de ônibus, ou fazê-las no ponto de ônibus mesmo;

5 – levar um livro ou revista para ler enquanto espera o ônibus;

6 – ouvir música enquanto espera o ônibus;

7 – por fim, encontrar outros insatisfeitos com o horário do ônibus, organizar um grupo formal de reivindicação e buscar mudanças junto aos orgãos responsáveis pela linha.

Contudo, é importante que entendamos que a forma de gerenciarmos a própria vida pode nos predispor a nos estressarmos mais ou menos, com os eventos do dia a dia. Não é possível viver uma vida sem estresse, todos nós temos que lidar com contratempos e frustrações todos os dias. Isso faz parte da vida. A questão é que precisamos a aprender a definir o que é essencial e o que não é. Ter coragem e disposição para mudar o que precisa ser mudado, contribui para que tenhamos mais serenidade para lidar com as situações que fogem totalmente ao nosso controle”, orienta a psicóloga.

Imagem: “Grito” por Holger Droste em 1x.com

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