Biscoitos, Stress e o Significado do Natal

Carl Jung alegou que um dos grandes problemas do mundo contemporâneo era a perda de significado. Na perspectiva junguiana essa perda de significado estaria associada às neuroses típicas da civilização ocidental. A sensação de vazio existencial, recorrente na vida urbana dos ocidentais, apontaria para o fato de que muito do que fazemos já não possui significado simbólico em nossas vidas. De forma resumida, nossas ações tenderiam a ter como único propósito a busca da satisfação imediata. E apenas satisfazer aos sentidos não confere significado à vida. Comer, beber, fazer sexo, ver e ouvir coisas bonitas e agradáveis… Nada disso possui um significado próprio, inerente a experiência em si, é a nossa capacidade de compreensão da experiência que a torna significativa.

A compreensão do que vivemos pode ser obtida pelo entendimento do valor que isso possui para a nossa existência. Quanto mais nos engajamos numa experiência, conscientes do que ela significa para nossa condição como seres humanos, mais condições temos de atribuir-lhe significado. Afinal, comer, beber, ouvir, ver e cheirar não são privilégios humanos. Qualquer animal pode aprender a utilizar os sentidos para prover a própria sobrevivência, seja no plano individual ou grupal. Entender o valor e o significado da comida, do cheiro, da bebida, do som… Isso, sim, nos faz humanos.

Quando vivemos as experiências apenas para satisfazer à determinação dos sentidos – ou para cumprir um mero protocolo sociocultural – perdemos em humanidade, e sem substância e sem significado é como poderíamos definir a maioria das práticas que adotamos. É assim, por exemplo, que um casal de noivos pode optar por uma cerimônia religiosa qualquer sem entender nada do simbolismo e dos ritos ao qual se submeterá. Porque, então, optam pela cerimônia religiosa? Ora, “porque todo mundo faz assim“; “porque é bonito“; “porque é o dia mais importante da minha vida“; “porque é a minha religião“… Enfim, muitos casais podem elencar várias razões para escolherem se casar no religioso, mas nem sempre elas revelarão o conhecimento do significado expresso pelos símbolos e ritos da cerimônia.

Assim, da mesma forma que ocorre com o casamento, ocorre também com o batismo, com o trabalho, com a maternidade/paternidade, com a morte, com o sexo, com a vida. Acontece que nas experiências cotidianas, na vida ordinária, marcada pelas atribulações próprias da sobrevivência, não é muito fácil perceber essa perda de significado. Até mesmo porque tendemos a achar que trabalho é trabalho, e ponto; sexo é sexo, e ponto! Ou seja, identificar o significado existencial daquilo que é comum para a quase totalidade dos seres vivos não é tão fácil, em especial pelos diferentes valores que cada contexto sociocultural atribui a essas experiências.

Como identificar, então, a perda de significado? Além dos sintomas próprios do adoecimento em nossa época – com suas inúmeras doenças de ordem emocional – é no campo das experiências religiosas que se torna mais evidente a perda de significado. Eventos antes carregados de sentido afetivo, ricos em força simbólica e significado ritual, cada vez mais se transformam em motivos para consumir. Assim como o casamento e o batismo – que hoje parecem cumprir apenas a função de movimentar o mercado de roupas, buffets e albuns de fotografia – eventos como o Natal vão perdendo qualquer significado simbólico, tornando-se mais um período de idas frenéticas ao shopping e endividamento compulsivo.

E para que tudo isso?… Não sei! Stress, aborrecimento, frustração. Muitos sentimentos negativos podem emergir na correria das festividades natalinas, e tudo isso porque reduzimos o natal a comprar. Caso seja do próprio desejo, contudo, pode-se resignificar o Natal, ou seja, retomar seu significado simbólico. Independentemente da orientação religiosa. Dar e receber presentes pode ser uma experiência realmente positiva do ponto de vista emocional. Quando propiciamos alegria e satisfação para alguém, beneficiamos ao outro e a nós mesmos. Ao dar e ao receber, ativamos o sistema de recompensa do cérebro, que libera opioides e outras substâncias como a dopamina que promovem sensação de bem-estar.

Não se engane, porém, achando que a sensação de bem-estar tem a ver com o valor econômico do presente. A sensação de bem-estar vem do vínculo emocional que se estabelece entre quem dá e quem recebe o presente. Para que o vínculo, a proximidade emocional, se estabeleça ou se fortaleça (quando já existe), o presente tem que ser significativo para quem recebe. Presentes significativos são aqueles capazes de atender às expectativas emocionais da pessoa, são os presentes que “combinam” com quem recebe, que oferecem a possibilidade para que o recebedor se expresse e/ou se sinta reconhecido em sua singularidade. Por isso, quanto mais conhecemos uma pessoa mais chances temos de encontrar um presente que a contemple. Assim, é quase sempre certo que os presentes originais, feitos pelo próprio presenteador, tendam a ser os mais lembrados.

Presentes feitos pelo presenteador revelam o grau de importância que se atribui à pessoa que será presenteada. Por que? Porque o tempo é o nosso bem mais precioso! Dedicar o nosso tempo a alguém deveria ser sempre um sinal de que realmente nos importamos com a pessoa. Se há alguém que você realmente ama, dê seu tempo de presente a ela. Aproveite o Natal e exercite isso. Há formas muito simples de presentear, por exemplo:

* Crie uma comunidade online com fotos e notícias de grupo – família, amigos, colegas de escola, etc., que não têm a oportunidade de se ver com frequência – para reaproximar pessoas distantes.
* Se seu grupo disperso não for muito afeito às modernas tecnologias, faça uma seleção de fotos do grupo, grave alguns depoimentos e registre tudo num DVD para presentear os integrantes. Vale também fazer um scrapbook.
* Faça uma “vaquinha” para um amigo “duro” poder realizar algo que ele deseje muito.
* Faça uma “caça ao tesouro” para seus sobrinhos, filhos, etc., cujo grande prêmio seja uma tarde exclusiva de brincadeiras com você; horas de “contação” de estórias ou um passeio no parque/praia em sua companhia.
* Dê às suas crianças um quebra-cabeças, ou um conjunto de lego, que seja grande e complexo, e monte com elas.
* Compre material para fazer uma Pipa e convide a namorada/namorado para fazê-la com você. Depois saiam para soltá-la.
* Ofereça aulas de dança para alguém que não saiba dançar.
* Grave um livro que você goste muito, com a sua própria voz, e dê para alguém que é muito ocupado para ler. Ele poderá ouvir o livro no carro, no banho, em qualquer lugar.
* Faça você mesmo cartões de Natal e envie para as pessoas que você ama.
* Cozinhe alguma coisa que pode ser embalada, faça um embrulho bem bonito e presenteie alguém que seja “bom-de-garfo”. Afinal o Paladar é uma ponte para o contato social e afetivo.

Segue abaixo uma receita de biscoitos: é fácil, rápida e deliciosa, não conheço ninguém que não goste desses biscoitos:

Biscoitos de Aveia

2 xícaras de chá de aveia

1 xícara de chá de açúcar

1 xícara de chá de farinha de trigo (pode ser integral, se você preferir)

1 colher de chá de fermento em pó

½ xícara de chá de margarina sem sal

2 ovos

1 colher de sopa de essência de baunilha

1 xícara de chá de chocolate picado, ou nozes/amêndoas picadas, ou uvas passa

Numa tigela junte a aveia, o açúcar, a farinha e o fermento, misture tudo. Acrescente a margarina e os ovos inteiros. Acrescente a essência, trabalhe bem a massa até ficar homogênea. Junte o chocolate picado (ou um dos outros ingredientes que você escolheu). Torne a misturar. Com o auxilio de uma colher de sopa forme bolinhas com a massa. Distribua as bolinhas de massa numa assadeira untada, deixando um espaço de 3 cm entre elas; achate-as suavemente se quiser. Leve ao forno médio (180º C) por cerca de +- 20 minutos, ou até os biscoitos começarem a dourar na superfície. Retire do forno e espere esfriar.

Aproveite o Natal, sem stress e com muito bem-estar!

Imagem: “Centelha de Vida” por Ralf Stelander em http://1x.com

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