Carl Sagan

Carl Edward Sagan é uma dessas pessoas que fazem a diferença na miríade de rostos e corpos e idéias que constituem a espécie humana. Sagan foi o que o psicólogo Abraham Maslow chamaria de pessoa autorealizadora, talvez o que o psiquiatra Carl Jung designaria como um sujeito em franco processo de individuação, ou mesmo o tipo humano dotado do que, na Psicologia Positiva, entende-se por Forças do Caráter associadas à virtude Saber.

Não importa, o fato é que Sagan teve uma vida singular, desempenhando um papel incomum como homem de ciência, capaz de comunicar-se tanto com seus pares quanto com o público leigo, o que é muito raro no mundo científico. Ele foi uma dessas pessoas extraordinárias que inquietam, perturbam, questionam e, por isso mesmo, ajudam a expandir e a transformar a percepção que se tem da vida, dos seres e das coisas.

Só que Carl Sagan não promovia o distúrbio de maneira ruidosa ou agressiva, ao contrário disso, ele era é um sedutor. Alguém capaz de envolver o interlocutor num contínuo fluir de idéias, argumentos, conceitos e imagens arrebatadoras. Um verdadeiro intelectual, eis a melhor definição de Carl Sagan, uma pessoa dotada de inteligência.

Foi na Astronomia que Sagan exerceu todo o seu brilhantismo intelectual. Nascido, em 1934, nos EUA, Carl Sagan dirigiu o Laboratório de Pesquisas Planetárias da Universidade de Cornell, onde se interessou pela pesquisa de vida extraterrestre, desenvolvendo trabalhos voltados à escuta de sinais vindos do espaço cósmico. Apesar de optar por trabalhar com o imponderável, Sagan sempre defendeu a necessidade da promoção do pensamento crítico e racional, sem misticismos. O objetivo dele sempre foi científico, ao pautar-se na busca de evidências para um fenômeno pouco palpável, Sagan demonstrava ser um legítimo representante da ciência, disposto a apurar, a observar, a buscar e a investigar, antes de qualquer posicionamento definitivo.

Como cientista, Sagan atuou de forma expressiva no programa espacial americano desde o início. Foi consultor e conselheiro da NASA desde os anos 50, trabalhou com os astronautas do Projeto Apollo, e participou também dos projetos da Mariner, Viking, Voyager, e das missões da sonda Galileo. Fez estudos que ajudaram a entender os mistérios das altas temperaturas de Vênus, as mudanças sazonais de Marte e a névoa avermelhada de Titã (satélite de Saturno).

O trabalho de Sagan abrangeu, ainda, um enorme esforço de popularização do pensamento científico. Um exemplo disso foi a edição da revista Icarus – de divulgação das pesquisas sobre o universo – juntamente com o Astrônomo Frank Drake. Além disso, Sagan publicou 15 livros de não ficção, e um romance, Contato, que virou filme. Seu último livro foi “O Mundo Assombrado Pelos Demônios – a ciência vista como uma vela no escuro“, no qual demonstra nítida preocupação com o espaço cada vez maior ocupado, nos meios de comunicação, pelas explicações pseudo-científicas e místicas. Em função de sua posição racionalista, a obra de Sagan atraiu a admiração dos céticos.

Contudo, não se pode atribuir a Sagan uma visão intolerante das produções imaginárias da humanidade, ou das suas expressões de fé. Ao que parece, o que ele queria combater era a predominância do obscurantismo intelectual, era o uso irracional do pensamento mágico que retira da própria humanidade a responsabilidade pelos seus atos, bons ou ruins. Nesse sentido, Carl Sagan foi, antes de tudo, um idealista, alguém que realmente parecia acreditar na capacidade humana de aprender, crescer e se transformar, e ele apenas se valeu do pensamento científico para expressar isso.

É possível que Carl Sagan seja, ainda hoje, o nome mais importante no campo da divulgação científica. A sua principal obra no campo astronômico, Cosmos, é o livro científico mais vendido da história. Cosmos deu origem a uma série de televisão de mesmo nome, exibida em sessenta países. Uma das lembranças mais fortes que tenho da minha infância diz respeito aos momentos passados em frente à televisão assistindo Cosmos. Com certeza, a visão de Carl Sagan do universo, da humanidade e do nosso lugar na teia da vida, influenciou minha percepção da realidade. O quanto influenciou? Não sei! Mas, muito provavelmente, hoje eu não me interessaria por ciência, história e conhecimento, de forma geral, na medida em que me interesso, se não fosse Carl Sagan. Penso que toda uma geração – todos nós que fomos brindados pelo encantamento de Cosmos – foi influenciada pela visão de Sagan, quer pensemos nisso ou não.

Carl Sagan morreu no dia 20 de dezembro de 1996 no Centro de Pesquisas do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, Estados Unidos, depois de uma batalha de 2 anos contra a doença na medula óssea.

É possível encontrar vários episódios da série Cosmos no You Tube.

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