Keine Lust by Rammstein

“Sem Desejo”…

…é mais ou menos isso que significa o título da canção “keine Lust” da banda alemã Rammstein. O clipe e a letra dessa canção me fazem pensar na teoria do caráter de Wilhelm Reich e nos efeitos do stress sobre a saúde física e mental das pessoas e, principalmente, dos homens. Também é curioso pensar no lugar da obesidade no nosso imaginário cultural. Nos filmes, nos Contos de Fadas, na literatura…as figuras obesas sempre aparecem associadas à inercia, à ganancia, ao parasitismo. Jaba the Hutt, o asqueroso personagem de “Guerra nas Estrelas” é a epítome dessa concepção imaginária da obesidade!

É possível que um dos fatores que contribua para isso seja o fato de que na condição natural/original da espécie humana – quando ainda vivíamos na natureza selvagem e dependíamos da agilidade e da força física para garantir nossa sobrevivência, caçando e coletando alimentos – a obesidade representasse um empecilho para as atividades essenciais ao grupo. Afinal, quem imagina um caçador ou um guerreiro obeso? Tanto é que em algumas culturas humanas a obesidade é um atributo físico incentivado e admirado, mas somente nas mulheres, nunca nos homens! Não conheço registro de grupo humano que valorizasse e cultivasse a obesidade masculina.

Ah! É claro, há o Sumô. Mas as origens desse esporte são tão obscuras e mitológicas que não poderíamos tomá-lo como um exemplo de culto à obesidade masculina em associação com a necessidade de sobrevivência, já que pouco se sabe da sua verdadeira função social original.

Do ponto de vista da fisiologia masculina, a obesidade pode indicar baixa taxa de testosterona (o hormônio masculino por excelência) e alta dosagem de cortisol (o principal hormônio associado ao stress). Em especial se há acúmulo de gordura na região do abdômen. É que o testosterona está associado à queima de gordura e o cortisol ao seu acúmulo. Numa perspectiva simbólica, essa configuração fisiológica poderia indicar a existência de conflitos no desempenho de papeis tipicamente masculinos. Nada a ver com homossexualismo, mas com o exercício das atribuições que no imaginário coletivo são masculinas como enfrentar, sustentar, prover, guiar, realizar, etc.

Fazendo um exercício simbólico, muito simplificado, a partir das idéias de Reich sobre o caráter: a barriga representa a capacidade de realizar desejos – como no Pilates ou no Yoga, em que o abdômen está vinculado à sustentação da força e do equilíbrio do corpo, é o pilar que apoia nossos movimentos de ação. Assim, a barriga teria ligação com a força de vontade, com o impulso que sustenta/equilibra/suporta os recursos internos para atuar no mundo concreto. O acúmulo de gordura abdominal, portanto, definiria um quadro psicológico do tipo “empurrar a vida com a barriga”.

Como na canção e no clipe do Rammstein, o corpo pode, muito bem, expressar o que vai pela mente e pelo coração.

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Um comentário sobre “Keine Lust by Rammstein

  1. A figura feminina desejada sempre esteve associada a inércia, fragilidade, fácil abate e dificuldade de locomoção e defesa de ataques. Tanto a obesidade mórbida feminina, valorizada em culturas africanas, quanto a magreza da cultura caucasiana remetem a submissão, um atrativo desejável dentro do patriarcado a mulheres. É interessante notar que o integrante Flake (Christian Lorentz), com sua compleição extremamente languida, e seu porte que nos dá ilusão de uma masculinidade sensível e escassa, parece uma figura submissa dentro da banda, nos clipes e nos shows. Ele sempre é abatido, sedado, agredido e em algumas performances, até mesmo estuprado, claro que de forma simulada.

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