A chegada do filho mudou a vida deles

*Por Laila Magesk: A Gazeta/ES – 13/08/2011

No início pode ser uma grande surpresa e, até desesperadora, a ideia de ter um filho aos 17 ou 18 anos. Mas, quando os pequenos nascem, cheios de vida e inocência, são capazes de transformar os corações mais duros, como o do personagem Guilherme, da novela global Morde & Assopra, vivido por Klebber Toledo. O amor por um filho, na vida real, consegue ser muito maior do que qualquer ficção. E, nesse Dia dos Pais, homens contam como a vinda dos bebês mudou, para melhor, a vida deles, mesmo com as dificuldades.

O técnico em mecânica industrial Renan Perini, 20 anos, experimentou essa mudança ao saber que seria pai aos 18 anos. O primeiro momento foi de choque, o namoro era recente e ele não tinha condições financeiras de cuidar do filho que estava a caminho. Precisou de meses para se adaptar a notícia que seria ser pai. Hoje, a família, para ele, está completa.

O consolo para os momentos difíceis veio com a ajuda da sua família e dos sogros. “Sem eles, nós não conseguiríamos viver bem como estamos hoje. Deram aquela bronca no início, mas não deixaram de ajudar a gente. Hoje é o meu primeiro Dia dos Pais. Espero dar muito carinho para a minha filha, Maria Eduarda”.

Para a psicoterapeuta Zenaide Monteiro, a maioria dos homens reage com amadurecimento à paternidade. Segundo ela, um filho é algo muito forte no caminho de alguém. Leva a pensar, a refletir sobre a vida. Mexe com as emoções, com a rotina, com as finanças. Tudo passa a girar em torno desse acontecimento.

Segundo Zenaide, o “garotão”, acostumado a ter todos preocupados com ele, passa a ter outro ser, com quem ele, agora, precisa se preocupar e cuidar. É o dar em vez de receber. “Isso leva a um crescimento forçado, a um amadurecimento precoce”.

E foi exatamente assim que aconteceu com o corretor de imóveis Alexandre dos Santos, 29 anos. Ele demorou a aceitar que a vida de solteiro, regada à festa e muita badalação ficaria para trás. “Eu e a minha esposa estávamos nos conhecendo. Sempre ganhei meu dinheiro, mas não tinha compromisso. Depois que Sibia ficou grávida, minha ficha caiu, e passei a me interessar pela vida. É muito diferente, mudei da água para o vinho”.

A surpresa, até mesmo para Alexandre, foi a transformação que a criança trouxe, mas demorou para ficha cair. Ele conta que precisou exatamente de nove meses para entender que teria alguém com quem se preocupar. A chegada do pequeno Nicolas tornou o amor real. “Hoje ele representa tudo. Minha vida é muito melhor agora do que antes”, se derrete o papai coruja.

O casal passou a morar junto na casa da avó de Sibia e há alguns meses Alexandre conseguiu comprar um imóvel. Sibia e Alexandre também estão mais unidos e próximos desde a chegada do herdeiro.

Autorretrato

O despachante Helder Cabaline, 35, sabe bem qual é esse sentimento. Ele e a esposa tinham 17 anos quando descobriram a gravidez. “Eram três crianças: eu, a mãe e ele. Foi tão bom que estamos juntos até hoje. Ser pai é uma experiência que toda pessoa deveria passar. Aprendi a ser homem, sendo pai cedo”, diz.

Apesar de todas as alegrias, isso não quer dizer que o início foi fácil. A caminhad foi turbulenta: tanto ele quando a esposa, Ana Paula Cabaline, 35, estudavem, não tinham emprego e nem maturidade para receber o Guilherme. Jovem demais, era difícil ver os amigos saindo sem poder ir junto. Eles tinham a responsabilidade de uma família.

Hoje, o primeiro filho do casal tem 17 anos, e a filha, 14. Como todos são jovens, fica até difícil saber quem é pai e quem é filho. “Quando saímos juntos, as pessoas acham que os dois são irmãos. O Helder é jovem, joga bola com o Guilherme, que tem verdadeira adoração pelo pai”, diz a esposa.

Diante dos desafios, os casais, com paciência e dedicação, estão aprendendo a lidar com as diferenças para criarem, da melhor maneira possível, os filhos, o grande amor de todos eles.

Reação depende de sua história

A psicoterapeuta Zenaide Monteiro destaca que a reação dos homens ao saber que serão pais varia, de acordo com a personalidade da pessoa, o caráter, a influência do meio em que foi criado, entre outros. “Tanto que há muitos filhos jogados por aí, de pais que nunca se preocuparam com eles”.

Análise

Angelita Corrêa Scardua, psicóloga

Pouco se fala sobre o pai adolescente. Enquanto a menina não tem como ignorar a situação, o menino é livre para escolher se quer ou não assumir a paternidade. Há casos em que os avós assumem a função de cuidar do bebê, que deve ser cumprida pelos pais da criança. Essa é a única forma de promover o amadurecimento emocional que é necessário ao adolescente para que ele possa criar vínculo afetivo com seu filho, o que é fundamental para que o bebê se desenvolva adequadamente. Amadurecer dessa forma, porém, não é fácil. Estudos mostram que meninos adolescentes que se tornam pais antes dos 18 anos têm menos chances de terminar o ensino médio do que seus colegas, o que tende a comprometer suas possibilidades futuras no mercado de trabalho. Forçar o casamento entre os adolescentes pode piorar a situação, pois, as estatísticas indicam que esses casamentos são muito mais propensos ao divórcio do que os de casais que adiaram a gravidez até os 20 anos. Ainda que a gravidez precoce não seja desejada, é possível criar condições para que o seu acontecimento não furte totalmente a capacidade dos jovens para se envolverem com a vida, seja como pais ou como filhos. Afinal, é exatamente quando têm que enfrentar a paternidade que esses meninos mais precisam do acolhimento de seus próprios pais.

Imagem: “Pai e Filho” por Bror Johansson, em 1x.com

2 comentários sobre “A chegada do filho mudou a vida deles

  1. Adorei!li alguns artigos que me identifiquei muito ,as vezes sabemos que tem alguma coisa errada e nao coseguimos definir o que possa ser .Mas quando lemos algum artigo tao profundo como os seus parece que da um clik,muito obrigado boa sorte!

  2. Legal a matéria! Fui pai aos 16 anos e é desafiador criar um filho nessa idade. Minha grande sorte é que tive uma estrutura familiar que me deu sustentação para crescer e cuidar do meu filho. Não precisei parar de estudar e trabalhar. Hoje, meu pequenino já tem 16 anos! rs

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