O Blog

Na língua falada pelos antigos gregos, muitas palavras eram utilizadas para definir as várias experiências humanas associadas à felicidade. A maioria estava associada à idéia de prosperidade (olbos) e sorte (tyche).

Contudo, a palavra principal para a vivência da felicidade no grego antigo é eudaimonia.

Eudaimon é o adjetivo para “feliz”.

A análise do significado dessas palavras associadas à felicidade nos revelam muito sobre o que os antigos gregos pensavam sobre o ser feliz. Na etimologia, eudaimonia significa “(eu) bem disposto; (daimon) que tem um poder divino”.

Assim, pode-se ver que no pensamento grego antigo a felicidade é um dom. Usufruir dos daimones – poderes divinos – é condição essencial para que alguém seja feliz. À felicidade humana, portanto, é conferida uma força espiritual além do controle dos homens, uma dádiva que depende unicamente dos humores dos deuses. No pensamento grego, um homem feliz (eudaimon) era aquele favorecido por um bom daimon, o mesmo que ter sorte. Logo, a eudaimonia requeria a boa sorte.

No entanto, a felicidade, por ser uma concessão dos deuses, era débil, frágil, transitória…pois, ao ser dada aos homens, tornava-se suscetível aos contratempos próprios da vulnerabilidade humana, isto é, às vicissitudes do tempo e à ação dos elementos.

Nesse sentido, o significado original da palavra eudaimonia carrega consigo uma contradição: ao mesmo tempo em que a felicidade é um dom, sua manutenção depende da vida que o feliz vive! Essa aparente ambigüidade da felicidade, prenunciada pela língua grega, é confirmada pelas pesquisas mais recentes sobre o tema.

Os atuais estudos sobre a Psicologia da Felicidade têm demonstrado que parte da nossa condição de felizes é inata, uma predisposição genética que nos confere maior ou menor propensão para experienciar emoções positivas. Ou seja, um dom! A outra parte dessa condição diz respeito aos eventos de vida que influenciam nossa inserção no mundo e a forma como avaliamos esses eventos.

Mas tanto a parcela inata quanto a construída da felicidade podem ser, igualmente, transformadas por meio das escolhas conscientes que fazemos. Hoje sabemos que o cérebro aprende continuamente, se reestrutura e redefine nossa percepção do mundo e de nós mesmos. Esse processo ininterrupto de adaptação é o que nos permite (re)elaborar nossas metas e (re)significar nossas escolhas buscando, com isso, a realização das nossas potencialidades.

O que está de acordo com o conceito Aristotélico de eudaimonia. Para Aristóteles, a eudaimonia significa atingir o potencial pleno de realização de cada um. Segundo Aristóteles, a felicidade é a meta da vida humana, tudo o que fazemos tem como motivo principal a busca da eudaimonia. Para ele, as atitudes amigáveis e a boa vontade que ofertamos a uma pessoa não têm por objetivo agradar a essa pessoa mas, sim, promover a nossa própria eudaimonia.

Portanto, mais do que um sentimento, a felicidade aristotélica está relacionada com o que uma pessoa faz de si e de sua vida, sendo uma expressão da virtude, a conseqüencia natural de se fazer o que vale a pena ser feito.

A moderna Psicologia da Felicidade – com seus estudos alicerçados nas neurociências e na investigação social do desenvolvimento humano individual e coletivo – tem chegado às mesmas conclusões propostas pelo filósofo grego. Para vivermos uma vida plenamente realizada, com eudaimonia, devemos priorizar o equilíbrio emocional e cultivar hábitos e pensamentos que nos permitam fazer escolhas com discernimento.

Como fazer escolhas só é possível quando há conhecimento das possibilidades existentes, este blog se propõe a contribuir para o entendimento dos fatores envolvidos na experiência da felicidade. Para tanto, apresento aqui idéias, informações e resultados de estudos sobre a Felicidade Humana. O conhecimento disponibilizado pode ser fruto do meu trabalho ou do de outras pessoas. Muitas vezes são extratos de artigos científicos, matérias de jornais, revistas…outras vezes aparecem em insights, ensaios, vídeos, ilustrações, etc.

Seja como for, sinta-se à vontade para conhecer este canto virtual onde a felicidade se faz entender por meio de palavras e imagens. Onde a eudaimonia é a lição do aprendiz.

Imagem: “Eros e Eudaimonia

7 comentários sobre “O Blog

  1. À vida, em resposta
    Elisandro R. Lara

    Desculpe, já é hora de partir…
    Vou pra longe, bem longe de ti.
    Darei-te uma lição, vida minha.
    Quem humilha e me bate noite e dia
    Não pode livrar-se impune de mim.

    Já chega! Estou cansado de sofrer…
    Escute bem o que tenho a dizer:
    – Maldita vida, que me desprezou,
    Que me maltratou, que me condenou:
    Agora sou eu que abandono você.

    Refrão
    Vida, não me chame de covarde!
    Você pediu que eu achasse uma saída.
    O que pensou que eu enxergaria…
    Perdido, no escuro, sozinho?

    Vida, não me chame de covarde!
    Não me julgue nem se culpe, não…
    Se pensas que não existo sem ti
    Também pra mim não tens sentido algum.

    Não levo nada de ti, nem recordação…
    Sei, também não deixarei saudade.
    Todo tempo que te tomei em vão
    Devolvo, mesmo que em intenção,
    Abrindo mão de pedir-te mais idade.

    Se cada ser humano há de pagar…
    Pelos atos que um dia cometeu…
    Somente aquele que um dia julgar
    Tudo que essa vida me fez passar
    Saberá se o culpado foi a vida ou eu.

  2. Estou há procura de livros que possam me ajudar mais em não ficar controlando a vida aheia (filhos e marido).Não estudo Psicologia.Mas sou inteligente.

  3. Olá Angelita! Lhe enviei uma mensagem via Facebook. Quando puder, dê uma olhada! Obrigada!

  4. Ótimo blog!
    Estou buscando conhecimentos na área da psicologia positiva com interesse de equilibrar a pressão da rotina e sentido para a vida e carreira.
    Obrigado pelas dicas e aprendizado.

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