A Experiência Sensorial

The Sensual World, esse é o nome da música cantada pela inglesa Kate Bush no clipe acima. A letra da canção é inspirada no monólogo final da personagem Molly Bloom do livro “Ulysses” de James Joyce.

Aparentemente, a letra da música resume a experiência sensorial entre homem e mulher no jogo erótico-afetivo. É curioso como fazer sexo e comer são as duas categorias de atividades – desencadeadas pelos sentidos – envolvidas na ativação de um maior número de áreas no cérebro. A abrangência da ativação cerebral quando comemos ou fazemos sexo está diretamente vinculada ao volume de dados que precisam ser coletados, analisados e processados pelo sistema sensorial e pelo cérebro durante o processo. Tanto é que para a percepção humana, comer e fazer sexo são experiências riquíssimas como ponto de contato entre os mundos interno(subjetivo) e externo(objetivo). Isso porque tanto comer quanto fazer sexo envolve praticamente todos os sentidos: olfato, paladar, visão, audição, tato…

É interessante pensar na relevância dos sentidos para a nossa experiência como seres vivos, porque o Mundo dos Sentidos é a própria vida que vivemos. Os cheiros, as imagens, as texturas, os volumes, os espaços, os sons, os gostos – e tudo o mais que experienciamos com o nosso corpo – é o que dá substância a nossa existência terrena. Mesmo quando fantasiamos, sonhamos, criamos e a princípio estamos desconectados das amarras da carne não estamos! Qualquer elemento que utilizamos para fantasiar, sonhar ou criar possui origem nas nossas experiências sensoriais. Um cego de nascença não sonha colorido, muito menos tem como conteúdo dos sonhos imagens!

As experiências humanas não podem ser vividas fora do campo sensorial, sejam elas felizes ou não. Por mais intenso e realista que seja um filme, um livro ou uma canção, nenhuma dessas experiências, se narradas por um terceiro, pode nos dar a verdadeira dimensão do que é viver as emoções, os sentimentos, os pensamentos ou as reações do momento presenciado pelo corpo. Assim, se desejamos viver plenamente no Mundo dos Sentidos é preciso fruir com a vida, que é condição indispensável para a felicidade.  Como canta Kate Bush, para o amor, por exemplo, não precisamos de palavras, mas de um beijo…e mais outro…

Mmh, yes,

Then I’d taken the kiss of seedcake back from his mouth

Going deep South, go down, mmh, yes,

Took six big wheels and rolled our bodies

Off of Howth Head and into the flesh, mmh, yes,

He said I was a flower of the mountain, yes,

But now I’ve powers o’er a woman’s body, yes.

Stepping out of the page into the sensual world.

Stepping out…

To where the water and the earth caress

And the down of a peach says mmh, yes,

Do I look for those millionaires

Like a Machiavellian girl would

When I could wear a sunset? mmh, yes,

And how we’d wished to live in the sensual world

You don’t need words–just one kiss, then another.

Stepping out of the page into the sensual world

Stepping out, off the page, into the sensual world.

And then our arrows of desire rewrite the speech, mmh, yes,

And then he whispered would I, mmh, yes,

Be safe, mmh, yes, from mountain flowers?

And at first with the charm around him, mmh, yes,

He loosened it so if it slipped between my breasts

He’d rescue it, mmh, yes,

And his spark took life in my hand and, mmh, yes,

I said, mmh, yes,

But not yet, mmh, yes,

Mmh, yes.

The Sensual World: Letra e Música por Kate Bush

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2 comentários sobre “A Experiência Sensorial

  1. Curioso que no Budismo e outras religiões orientais é justamente quando vamos além dos sentidos é que chegamos a experimentar a verdadeira felicidade. vamos além do ”eu gosto ou eu não gosto ”, libertando assim dos condicionamento. Esta ”experiência de felicidade ” é o que eles chamam de Iluminação e existe dentro de todos seres humanos. Essa experiência de felicidade que vem dos sentidos não é verdadeira pois ela nos mantem na dualidade do gostar ou não gostar e na busca incessante pelo prazer é uma felicidade condicionada pois depende dos fatores externos logo é uma prisão, isto para eles é visto como ”estar preso ao sansara, a roda da vida.

  2. Os sentidos ampliam o canal de comunicação com a vida. É como se a informação viesse mais completa. Aí está o prazer, independentemente de qual informação possa vir, não se trata de gostar ou não gostar, mas acolher a imensidão da vida dentro do que somos capazes. Quanto mais sentidos envolvidos, quanto maior atenção dispensada para a captação do divino, maior será a oportunidade de vivenciar o prazer, tornando a dizer, seja lá o que se recebe, o prazer está em receber, não na classificação do que se recebe.

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